24 setembro 2009

we all rock along - cap 2




Capítulo 2 - Surpresas

Depois daquele cansativo dia dedicado à arrumação da enorme desordem que a festa da noite anterior causara, os jovens anfitriões foram enfim descansar. o céu tinha estado alaranjado e o clima aconchegante. Gwen e Carter deitaram na grama quente enquanto conversavam. ele pegou um graveto seco e o quebrava em pequenas partes, só para manter as mãos ocupadas com algo inútil. ela assoprava a franja fazendo uma careta.

— não é incrível como as coisas mudam? é tão radical. — refletia Gwen.
— como assim? — perguntou Carter e largou os restos do graveto no gramado.
— ah! na infância, éramos namoradinhos de brincadeira. depois, eu me mudei, tudo mudou. quando voltei, estávamos na puberdade. nós brigamos por uma bobeira e fomos inimigos — ela fez aspas com os dedos no ar por um bom tempo. mas você me salvou de um cachorro feroz, então nos acertamos e acabamos namorando por 1 ano. agora, estamos aqui, somos esses ótimos amigos e moramos juntos.
— é, temos uma bela história juntos. acho que nós estamos fadados a ficar perto um do outro.
— que bom. eu lembro de tudo como se fosse ontem.
— não houve grandes mudanças se você parar pra pensar.
— você acha? — fez-se silêncio por um instante.
— você...? — hesitou Carter.
— você... o que?
— você ainda pensa na gente... juntos?
— bem — Gwen pausou por um momento —, na verdade, sim.
— eu penso em você todos os dias.
— você ainda... — Gwen mudou a expressão, ficou surpresa. — ainda gosta de mim?
— sim. sinto sua falta. achei que não fosse mais dar certo, então precisei...
— shhh! — Gwen não se esforçou para se conter, o calou com um beijo.

Perdida em seu quarto, Chloe não conseguia terminar seu trabalho da escola, devido à ansiosidade que a rondava, da vontade de encontrar Amber novamente. olhava incessantemente para seu celular, esperando dele alguma ação. até que ele tocou e ela voou para atendê-lo. na tela estava escrito "Amber" abaixo de um retrato de uma ruiva meio bêbada, Chloe então sorriu se sentindo uma menina de 12 anos, cheia de fantasias.

— alô! — ela atendeu e ofegou um pouco.
— oi, Chloe! — Amber respondeu, com a voz cansada.
— que bom que ligou. quando vamos nos ver de novo?
— hmm... que tal agora? pode me encontrar naquela lanchonete, a Strawberry?
— claro. daqui a pouco eu chego.
— certo, estou esperando.

Chloe desligou o telefone e pulou da cama, quase que ao mesmo tempo. abriu seu armário e se trocou. se equilibrou numa perna só para vestir sua calça. pegou sua bolsa, sem quase nada dentro e saiu apressada.

Com sua guitarra, Aaron estava treinando algumas trocas de acordes junto com o baixista da banda, Duncan. enquanto eles faziam barulho, foram interrompidos quando Bart passou irritado pela sala, procurando algo. tropeçou nos fios e acabou por derrubar as aparelhagens de som com as quais eles tocavam. Aaron reclamou, chamando-o a atenção. porém Bart se irritou ainda mais, ordenou rudemente que tocassem em outro lugar e foi embora em passos fortes. os outros permaneceram na sala, sem ter o que dizer. Aaron estranhou a atitude de Bart, já que ele sempre foi sensato e não descontava seus problemas em ninguém.

Ainda no gramado, próximo à piscina, Gwen e Carter conversavam sobre a relação deles. estavam realmente se conectando como nunca. revelaram um para o outro tudo o que sentiam. por fim, resolveram reatar o namoro.

— eu realmente acho que a gente pode tentar denovo. — confessou Carter.
— já estamos bem crescidinhos. podemos fazer melhor dessa vez. — declarou Gwen.
— eu só quero mesmo ficar com você.
— eu também, era difícil ver você com outras garotas.
— imagina como era pra mim, sempre que eu via um cara chegando em você.
— eu sempre fui uma menina direita.
— a Senhora Certinha de novo. — Carter riu ironicamente.
— ainda sou virgem, tá? — Gwen parou e desfocou seu olhar. tentou lembrar da noite passada, porém pouquíssimas coisas vieram à sua mente. ela lembrou de um par de olhos verdes. quando voltou o seu olhar para Carter, se deparou com os olhos dele, verdes, fitando-a.
— sério?
— bem, se eu não estive sonhando. eu sempre quis perder minha virgindade com você. pronto, falei!
— estava se guardando pra mim? você é incrível, Gwen!
— sim. é que eu queria o cara certo. sabe? toda aquela história. mas não vá se achando.
— tudo bem. — ele sorriu tudo o que não fizemos antes, podemos fazer dessa vez. — Carter passou a mão pelo rosto dela.
— podemos fazer agora. vamos subir? — Gwen segurou a mão dele.
— como quiser. Carter se levantou e conduziu Gwen. eles subiram para o quarto dele.

Assim que fechou a porta, Carter beijou Gwen lentamente. ela tremeu. ele segurou uma das pernas dela, a suspendeu ainda a beijando, levou até a cama e a deitou. Carter sabia como tratá-la. a despia com cautela. até que ambos estavam nus. começaram o ato quando estavam excitados o suficiente. ao contrário do que pensava, não era a primeira vez que Gwen transava. mas ela não recordava de ter se entregado totalmente à um estranho, estava em transe. era como se a noite anterior não tivesse existido para ela. Gwen, agora, pensava que perdia sua virgindade com aquele que desejava, Carter. ambos estavam felizes por estarem juntos novamente, e agora a ligação entre eles se tornava mais forte. quando deitaram abraçados, um tanto ofegantes, o crepúsculo coloriu seus corpos e eles abriram um sorriso satisfeito.

Ao chegar na lanchonete Strawberry, com passos apresados, Chloe avistou Amber pela vitrine. logo empurrou a porta da entrada fazendo o sino cantar. o que chamou a atenção de Amber. ela olhou sorrindo. Chloe correu e a abraçou. se cumprimentaram e conversaram com toda a cordialidade costumeira. fizeram seus pedidos quando a garçonete apareceu até que engataram num assunto mais interessante.

— Amber! não parei de pensar em você.
— nem eu, Chloe.
— ontem... foi incrível.
— também acho. você foi a garota mais especial com quem já fiquei.
— você foi a única que já beijei, mas... mexeu comigo.
— olha, eu gostei muito de você, mesmo. acho que a gente devia se conhecer melhor. eu queria saber, o que você vai fazer daqui pra frente?
— fazer? tipo o que?
— vai... assumir sua opção sexual?
— isso é uma opção? nós escolhemos isso?
— acho que não. mas é assim que falam. então... o que me diz?
— bem, acho que apenas pra galera, meus amigos. sabe? é minha vida, minha opção, — Chloe riu da palavra que usou eu não preciso expor num outdoor. mas acho que, para os meus amigos, eu devo contar. eu... quero contar.
— ótimo assim. quer dizer... é melhor pra você. se você sentir vontade de beijar uma garota, vé em frente e faça isso. você também vai se sentir mais livre pra andar de mãos dadas quando quiser. — Amber sorriu levemente — vamos pra um lugar mais discreto?
— por que? o que a gente faria lá, podemos fazer aqui. — Chloe sorriu e a beijou.

Já era bem tarde. o vento soprava fazendo um som aconchegante com as folhas das árvores. todos tinham ido dormir. somente Aaron ainda estava acordado, procurando seu skate. foi dar uma olhada no quarto de Bart. ele bateu na porta quase fechada e ninguém respondeu. então a empurrou. quando entrou, viu que Bart não estava em casa. achou estranho, mas continuou sua busca. então, em meio à milhares de coisas que Bart espalhava na bagunça de seu quarto, encontrou um pouco de cocaína perdida num canto do quarto. se enfureceu com Bart, esperando que aquilo não fosse dele. mas sabia que era. deu um soco na parede, balançou a cabeça e pensou: então era isso que o Bart estava procurando.
Na manhã seguinte, Aaron, assim que acordou, foi conversar com Bart sobre o que viu em seu quarto. ele apareceu na frente do amigo, com uma expressão séria, estendeu a mão com o pó branco e perguntou com a voz seca:

— há quanto tempo você tá usando isso, Bart?
— do que você tá falando? — Bart fingiu não saber do que se tratava.
— há quanto tempo você se droga?
— você tá maluco, Aaron? eu me drogando? acha que eu andei cheirando?
— vai continuar mentindo pra mim, é? isso aqui é seu, Bart. — Aaron esfregou os dedos na mão despejando o pó no chão. Bart parou sério, olhou pra outro lado e suspirou.
— olha, não se mete nisso, tá legal?
— você é meu amigo, e eu não vou deixar você fazer merda sem me meter.
— Aaron, é sério. não se mete na minha vida. é melhor pra nós dois.
— tá vendo, cara? você não é assim. por causa dessa porra tá todo nervosinho. você ainda vai se foder com isso.
— se eu tiver que me foder, eu vou me foder. eu sei o que eu faço.
— não, Bart, você não sabe. é melhor aprender quando eu digo, do que depois que se você foder. eu não quero ver isso acontecer, Bart.

Bart bufou e saiu sem dizer nada. Aaron deu um suspiro forte e levou a mão à testa. desde então, não falava com Bart normalmente. ele imaginava quando isso iria acabar, se isso iria acabar.

Uma semana se passou. sem nada de especial acontecendo. Lindsay estava escovando os dentes, entediada, se encarando no espelho, quando Gwen entrou no banheiro, com o cabelo desgrenhado e a cumprimentou. ela parou com a mão na boca e uma expressão de dor. se sentia enjoada. com uma contração que levou seus ombros para frente, ela correu até a privada, se ajoelhou e vomitou. Lindsay, surpresa, correu para ajudá-la.

— o que houve, amiga? — perguntou Lindsay com as mãos em suas costas.
— sei lá. do nada, fiquei tonta e deu vontade de vomitar. ai, minha barriga.
— já passou?
— ainda estou meio enjoada. não é nada grave.
— tem certeza?
Gwen parou de repente, com a pergunta de Lindsay. seu olhar ficou vago. ela levantou num pulo e gritou:
— ai, meu Deus! não, eu não tenho certeza.
— o que foi? o que foi? você tá bem?
— talvez.
— como assim? vamos pro hospital, Gwen.
— não, Lindsay... é que, aconteceu...
— ahn? você tá me assustando.
— Deus queira que não, mas... acho que estou grávida.

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