28 setembro 2009

we all rock along - cap 3






Capítulo 3 - Segredos


Era uma quinta-feira ensolarada. Bart acordou mais cedo do que todos. rapidamente, vestiu qualquer roupa, sem paciência. pegou seu skate e saiu de casa sem comer nada. fez seu caminho em direção a casa de Josh, o outro guitarrista de sua banda e seu melhor amigo. em cima do skate, ele remava com pressa e curtia o som ruidoso das rodas deslizando pela calçada. fez uma curva para virar a esquina. antes que pudesse chegar no apartamento de Josh, o encontrou no meio do caminho com um sorriso bobo no rosto.

— e aí? — cumprimentou Bart.
— e aí? — repetiu Josh, com um sorriso.
— você trouxe a parada?
— que parada? — disse Josh, inocente.
 a coca, Josh. — Bart respondeu, impaciente.
— claro! tá na mochila.
— então tá. vamos pra pista logo.
— cara, meu rolamento tá fodido. vamos passar no shopping pra comprar um novo antes.
— falou! então, me dá a farinha logo.


Ainda pela manhã, todos já haviam levantado, embora Chloe continuava deitada na cama. olhava para o teto, pensando no que realmente queria; meninos ou meninas. ela se questionava. ou talvez os dois. pensando em quando iria contar para seus amigos sobre sua orientação sexual. se é que já estava orientada. apesar de saber que todos entenderiam e que isso não mudaria absolutamente nada para eles, ainda estava esperando o melhor momento para dizer.



Gwen foi assustada por três rápidas batidas na porta de seu quarto. ela gritou para que esperasse enquanto se trocava e empurrou as pernas para dentro de sua calça, então abriu a porta e Lindsay voou para dentro. elas se encararam sem dizer nada por um tempo. até que Lindsay revirou os olhos e a agarrou os ombros.

— e então? não tem nada pra dizer? — perguntou Lindsay, quebrando o gelo.
— Lindsay, eu estou... acabada. eu tenho apenas 17 anos. 17 anos! — confessou Gwen.
— acalme-se, Gwen. você ainda não sabe se está grávida mesmo — Lindsay ergueu os ombros.
— não, Lindsay. eu estou mesmo grávida. fiz um... teste de farmácia.
— ah, não! — Lindsay desviou o olhar por um instante — olha, não precisa confiar num teste de farmácia. precisa ver um médico.
— eu sei. mas... eu não posso, não posso ter um bebê agora.
— está pensando em abortar?
— eu não sei, Lindsay. — Gwen quase chorava — eu só... não posso ter um bebê agora. como eu vou ter um bebê agora? — ela explodiu em lágrimas. Lindsay a abraçou rapidamente.
— Gwen, como pôde não se proteger?
— é claro que me protegi. mas não sei o que houve com aquela droga de camisinha.
— vai contar pro Carter?
— tenho que contar, não é?
— claro. é problema dele também.
— acha que ele vai ficar com raiva de mim?
— não. pelo contrário. pelo que conheço do Carter, ele vai te apoiar. afinal, quem vai gerar uma pessoinha é você.
— eu não vou gerar ninguém! — gritou. depois baixou o rosto no ombo da amiga. — obrigada, Lindsay. — Gwen retribuiu o abraço eu te amo. mas ainda tenho muito o que pensar. — disse, enxugando as lágrimas com os dedos.


À caminho da escola, Carter dirigia seu carro e Aaron quase cochilava no banco do passageiro. Carter o cutucava para acordá-lo, o irritando. Aaron estranhou quando ele estacionou cedo demais. estavam em frente à uma cafeteria. Carter havia parado para tomar seu café da manhã sem ter que prepará-lo. Aaron reclamou da preguiça dele, embora sempre fora bem mais preguiçoso e acomodado do que Carter. Quando este o lembrou de que quase dormia no carro, uma competição começara, para provar quem era menos preguiçoso.


— cara, você sabe do Bart? — perguntou Carter, franzindo o cenho, quando já sentados no balcão.
— sei lá. ele tá estranhão mesmo. — respondeu Aaron, sem emoção.
— uhum. você sabe o que tá havendo?
— cara, o Bart tá se drogando.
— tá, isso não é novidade. ele sempre fumou maconha. — Carter bufou enquanto enchia seu café de açúcar. parecia que nunca era o suficiente.
— não, Carter. ele tá usando drogas mais pesadas agora. até LSD, cocaína e os caralho.
— ahn? sério? tipo... crack também? — Carter deixou um pouco do açúcar derramar.
— acho que não. sei lá! se fosse assim ele estaria pior.. — disse Aaron, bufando.
— ele te contou isso?
— eu achei cocaína nas coisas dele. falei com ele, mas ele tá todo irritadinho. disse pra eu não me meter. depois fui descobrindo mais coisas... tô perdendo a esperança no Bart, cara. isso tá o mudando. ele era tão maneiro, pô.
— se ele não te escuta, não vai me escutar também. infelizmente, vai ter que aprender se fodendo.
— foi o que eu disse pra ele.
— que merda! ele não pode ficar assim. mas talvez ele sinta falta de como ele era, dele mesmo, do jeito descaralhado dele e tal.
— assim espero.
— cara, se ele estiver usando crack, a gente vai ter que morrer em uma grana pra pagar uma clínica pra ele ou sei lá. a família dele não tem como pagar.
— você faria isso por ele?
— melhor perder dinheiro do que perder um amigo.

Já dera a hora de entrar na escola, porém Bart e Josh resolveram matar aula para andar de skate. teriam a pista toda para eles, não havia ninguém lá à essa hora. enquanto praticavam, Bart tentou uma manobra ousada. ele errou, não conseguiu completá-la. caiu em cima de uma barra e quebrou o braço ao bater no chão. o estalo fora tão forte que Josh também pôde ouvir à pouca distância e fez uma expressão de dor com os olhos espremidos. correu pra ajudar o amigo. Bart estava drogado o suficiente para não sentir dor alguma.

— cara, acho que quebrei o braço. — confessou Bart.
— você acha? fez o maior barulhão de osso se partindo. — declarou Josh.
— que saco! vamos pro hospital pra engessar.
— aham! você deve tá muito noiado. não tá sentindo nada mesmo?
— não, só raiva. porque eu queria ficar aqui andando de skate e agora não vou poder tocar bateria. tinha que me quebrar, puta que pariu!


No intervalo da escola, Chloe saiu à procura de Gwen e Lindsay pelos corredores. andava apressada. estava ansiosa para conversar com suas amigas. parou no refeitório, procurou com os olhos e lá estavam elas, sozinhas numa mesa qualquer. se apressou, andou até elas sorrindo, jogou sua bolsa numa das cadeiras e sentou-se.

— meninas! preciso falar com vocês. é algo meio... inesperado. — ela sorriu.
— uuuuh! — Lindsay se empolgou — então conte logo.
— o que foi? — perguntou Gwen.
— bem, sabe na festa do último sábado? então, eu... beijei uma garota... pela primeira vez. — ela cobriu a boca com as mãos. Lindsay e Gwen se encararam sorrindo.
— e só agora você nos conta sobre essa... experiência? — disse Lindsay, soltando o ar.
— eu juro que esperava isso da Lindsay. — disse Gwen, rindo.
— mas conta... como foi? você gostou? — perguntou Lindsay.
— eu amei. eu nunca tinha feito isso. estou... descobrindo novas coisas, sabe?! tô feliz com isso. pode até ser rápido demais, mas acho que estou mesmo me envolvendo com ela. — confessou Chloe.
— você tá apaixonadinha! — Lindsay apoiou o queixo nas mãos.
— você tá falando daquela... Amber, não é? — perguntou Gwen.
— sim, ela mesma. ela me trata tão bem e foi a primeira garota que eu beijei, sabe? — explicou Chloe.
— você pretende ter algo mais sério com ela? — perguntou Lindsay.
— eu não sei. ainda estamos nos conhecendo. — respondeu Chloe.
— então você é lésbica agora? — Lindsay ficou boquiaberta.
— hm, acho que estou mais pra bissexual. não sei se isso é só uma fase. ainda tô experimentando. — Chloe riu.
— continue nos contando tudo sobre suas experiências. — Gwen exigiu.
— sabia que vocês reagiriam bem. obrigado, garotas. — disse Chloe — mas vocês ainda vão ficar peladas na minha frente sem ter medo de mim, né?
— claro! — Lindsay soltou um riso.
— não devia ter enrolado pra contar. somos suas amigas. — disse Gwen.
— eu sei. vocês são as melhores. — declarou Chloe.


No hospital, Bart já havia engessado seu braço e Josh o esperava pacientemente. quando finalmente puderam ir embora, foram para casa de Josh. Bart fora reclamando e xingando por todo o caminho. Josh fazia piadas intermináveis sobre o braço engessado dele. ao chegar em seu apartamento, Josh pegou hidrocores e veio apontando para o gesso de Bart.

— cara, me deixa desenhar qualquer coisa aqui. — disse Josh, com milhares de cores diferentes de canetas.
— ah! faz a merda que quiser aí. — Bart bufou.
— deixa comigo. vou desenhar uns ursinhos carinhosos aqui e unicórnios felizes ali.
— se quiser um braço engessado também. — Bart disse, estressado. Josh riu. houve um longo momento de silêncio, enquanto Josh desenhava. só se ouvia o barulho do hidrocor em atrito com o gesso.
— cara, você... você tem uma grana pra me emprestar?
— não. eu tô tão fodido quanto você. — explicou Josh.
— tsc! meu emprego paga mau pra caralho.
— tá precisando de dinheiro agora pra que?
— pra pagar o... bagulho.
— ih! arranja a grana logo, cara.
— eu vou arranjar. — Bart olhou pra frente sem realmente olhar para nada tenho que arranjar.

Depois da escola, Carter e Gwen foram almoçar juntos numa lanchonete. Carter estava feliz por terem voltado à namorar. por outro lado, Gwen estava tentando disfarçar sua preocupação com a gravidez, mas já havia decidido que ia contar para Carter, para que os dois, juntos, resolvessem o que iam fazer. ela esperou que sentassem e fizessem o pedido. enquanto esperavam, ela começou:

— Carter, eu preciso te dizer uma coisa. eu não sei como você vai reagir. mas espero que seja da melhor forma possível. — tinha o semblante inconfundivelmente preocupado — é difícil falar sobre isso. é uma notícia e tanto...
— vai direto ao ponto, Gwen. você tá me assustando! — Carter a interrompeu.
— tudo bem. — Gwen suspirou — é que... é que eu posso estar grávida, Carter.
— o quê? — Carter arregalou os olhos e a encarou por um instante, que parecia interminável. — bem, nós fizemos o que fizemos, vamos ter que lidar com isso.
— mas, Carter, eu não posso ter um bebê.
— você quer abortar?
— eu não queria ter que fazer isso. mas um filho agora atrapalharia toda minha vida. posso ter quantos filhos eu quiser mais tarde.
— mas sempre vai faltar um. olha, Gwen, um filho agora também me atrapalharia, mas se você decidir ter o bebê, a gente pode dar um jeito de ficar com ele.
— Carter, não posso ter esse bebê. isso tá me apavorando.
— fica calma, Gwen. eu entendo sua situação. eu te ajudo à pensar sobre isso. o que você decidir, eu vou respeitar.
— você é maravilhoso, Carter.
— ... — ele tentou sorrir.
— talvez possamos ter um filho quando for a hora.
— isso parece um pedido de casamento. — ele riu levemente.
— pra ser sincera, por mais que nos separemos mais tarde pra curtir a vida ou sei lá, acho que a gente ainda vai acabar envelhecendo juntos. então é melhor encarar a realidade. se eu for ter um filho, será contigo. mas não agora.
— se for assim, pra mim, tá ótimo.


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