28 agosto 2010

we all rock along - prólogo

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Prólogo


Gwen;

— É ótimo saber que posso andar por essas ruas nova-iorquinas abarrotadas de gente e não ter que correr apressada como eles. embora eu saiba que um dia vou ter que me juntar à eles. e esse dia está perto. É meu último ano na escola. depois vem a faculdade e aí sim, vou correr por essas ruas como essa gente bem vestida sem ver nada ao meu redor e acabar com minha vida social. ninguém consegue ou não tem tempo pra reparar as coisas bonitas e interessantes que as pessoas deixam por aqui, como desenhos em muros, coisas inteligentes escritas em lugares inesperados, a música por todo lado e o colorido da cidade. só enxergam o cinza dos prédios. há mulheres que vêem apenas as cores dos shoppings porque foram feitas para lhes chamar a atenção. e homens que mal sabem que existem outras cores além do amarelo dos táxis. eu não quero me transformar em um deles. quando eu tiver que enfrentar essa mesma rotina, vou procurar olhar por onde passo, pras pessoas de onde passo e pra mim mesma. mas por enquanto eu posso andar devagar, sentir a leve e gelada brisa que veste a cidade e aproveitar o que Nova York tem de melhor. — Gwen pensava enquanto bebia seu café, caminhando vagarosamente.


Carter;

— O céu está cinza faz uma semana. que ótimo! sempre componho melhor com esse tempo. e caminhar me faz bem. com as mãos no bolso e meu violão nas costas. nenhum casaco e meu corpo tremendo com o frio. hã.. olha só aquele cara. sentado num banco no meio da calçada, tocando um violino velho e surrado. as pessoas passam e deixam algum trocado. mas isso me faz imaginar, porque ele faz isso? pelo poucos trocados que jogam em sua cartola? — Carter bufou sorrindo — claro que não. é pela música. posso ver pelo jeito que ele sorri. ele ama isso. é tudo pela música. — Carter agora estava parado em frente ao violinista. tão imerso em pensamentos que quase falava sozinho.



Ambos;

— Carter! hey, Carter! — Gwen o chamou, tirando-o de seu transe.
— ahn! oi, Gwen. — Carter se virou rápido demais e esbarrou no copo de café de Gwen. logo, sua camisa estava encharcada com o café expresso fervente. Carter rapidamente puxou a camisa pra frente e o corpo pra trás como se tivesse sido empurrado. exclamou — wow!
— oh meu Deus! me desculpe. você virou... e esbarrou. ah! me desculpe.
— tá tudo bem, Gwen. só está bem frio aqui. o café já esfriou.
— tire a camisa, vai ficar resfriado.
— olha, Gwen. você não precisa fazer tudo isso pra tirar minhas roupas. — Carter brincou.
— ahn? não! eu não... quer dizer, por que eu faria isso? — disse Gwen, desconcertada.
— porque você me ama. — Carter apertou o queixo de Gwen.
— Carter, pare. — Gwen reclamou. puxou o braço dele levemente e não o olhou nos olhos.
Carter ria enquanto tirava a camisa e a retorcia despejando o café frio na calçada. seu colete era ridiculamente insuficiente para conter o frio, mesmo assim o vestiu novamente. ele parou por um momento, olhando para o senhor com o violino. Gwen esperava uma reação. Carter passou seu braço pelo pescoço de Gwen e trouxe o rosto dela até seu peito. beijou o alto de sua testa, esboçou um sorriso irregular e disse:

— sabe, Gwen. eu, você, o senhor violinista ali. todos! todos nós arrasamos juntos!




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