18 setembro 2010

we all rock along - capítulo 2 - 2°T

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Capítulo 2 - Além das Memórias



Dois dias atrás;


— O que aconteceu ontem? entre você e o seu pai? — disse Amber cautelosamente, quando Chloe parecia mais calma e parecia não haver mais lágrimas à serem derramadas.
— eu não quero falar sobre isso — Chloe disse suas primeiras palavras desde que chegara da casa de seus pais.
— tudo bem.
— por que ele tem que fazer isso comigo? — Amber não respondeu — por que ele tem que fazer a própria filha sofrer? tentar destruir nossa família e colocar a culpa em mim. por que? se eu nunca tivesse contado que gosto de garotas, eu não estaria passando por isso.
— Chloe, acredite em mim. foi melhor assim.
— não, Amber. não foi. agora meu pai me odeia. aquele limitado preconceituoso.
— você não conseguiria viver uma mentira.
— seria melhor do que viver sem um pai que te ame.


Hoje;

Era cedo e a campainha tocou estridente. Carter, ocupado preparando seu café da manhã, gritou para que alguém atendesse a porta. logo, percebeu que ninguém havia se manifestado e, bufando, largou seu cereal. andou até a porta da frente resmungando.

— e aí, Carter? — Justin disse, com um sorriso desavergonhado no rosto.
— Justin! e aí, cara? — Carter o abraçou. — porque essa visita à essa hora da manhã?
— err, na verdade, não é uma visita.
— como assim?
— eu vim pra ficar, Carter.

Bart dirigia até a escola com Lindsay, que fora quieta, olhando pela janela o tempo todo. sentia falta de sua amiga, Chloe. que embora tivesse pedido que ninguém ligasse ou a procurasse no momento, Lindsay tentava ligar à todo instante. finalmente Bart falou:

— Lindsay, fica tranquila, tá? a Chloe vai ficar bem. dá um tempo pra ela.
— Bart, me diz uma coisa... por que você ajudou a Chloe? por que deixou que ela fosse embora? por que você nem ao menos tentou fazê-la mudar de ideia? — Lindsay o surpreendeu.
— bem, Lindsay, se ela precisava disso. eu não iria questionar. deixei ela fazer o que ela achou melhor para ela. eu entendo o que está passando.
— como você pode entender? nunca passou por isso.
Bart virou o rosto para encarar Lindsay por uns segundos e logo tornou a olhar para o trânsito.
— na verdade, eu sei exatamente o que ela está sentindo.
— o que aconteceu?
— o pai dela a odeia. ele não a considera sua filha. e eu não tenho um pai. eu nunca tive. ele nunca foi um pai de verdade. foi um covarde que sumiu quando mais precisávamos dele. é isso, é por isso que entendo.
— ah... Bart, eu sinto muito.
— não precisa se lamentar. eu sobrevivi. ninguém mais precisa dele.
— você não superou isso, não é?
— isso não importa mais — Bart parou o carro no estacionamento da escola a sua pergunta foi respondida, não foi?


Já havia se passado o horário de entrada da escola e Carter continuava em casa com Justin, que trouxera apenas uma mochila e seu skate para sua possível nova moradia. Carter surpreso, tentava entender o porque de Justin ter deixado seu ótimo apartamento em SoHo.

— Justin, o que aconteceu? e o seu apartamento?
— fui despejado. — Justin riu, sem motivos.
— despejado? por que? cansaram de um vizinho barulhento como você?
— antes fosse. 3 meses de condomínio atrasados. as pessoas perdem a paciência com isso, sabe, amigão?! — ele espremeu os olhos.
— ahn? seus pais cansaram de te bancar?
— não. sabe, fui roubado por uma vadia. depois de uma linda noite de prazer, eu acordei e ela havia sumido com meus cartões de crédito. achei que isso só acontecesse em filmes — Justin agora brincava com uma laranja que encontrara na mesa — meus pais disseram que isso iria me servir de lição. não me deram um cent sequer e logo depois foram passar as férias em Milão.
— ah! justin, você poderia ficar aqui, mas a casa é do Aaron, sabe.
— ele não vai ligar. aposto. eu durmo no seu quarto e não faço barulho. — Justin pulou para sentar no sofá sem olhar pra trás e ouviu-se um grito após o estalo que se fez.
— aaaai! não tá me vendo aqui? — Josh reclamou.
— fala aí, amigão! eu te conheço? — Justin se levantou. jogou a laranja pra cima e a pegou no ar. em seguida estendeu a mão para Josh, que franziu as sobrancelhas, mas apertou as mãos de Justin e se levantou.
— por que você estava dormindo no sofá, Josh? — Carter perguntou.
— ah! é que o Duncan sumiu e levou a chave de casa junto com ele. tive que dormir aqui.
— sumiu?
— é. quando soube que a Chloe tinha ido embora pra Londres.
— você acha que...
— ... que ele foi atrás dela? tenho quase certeza. ele é inglês, londrino. conhece bem aquele lugar.


Aaron voltava da escola, e quando acabara de chegar em casa, um carteiro o surpreendeu, com um pequeno pacote nas mãos e um papel à ser assinado.

— ahn... Sr. Gaskarth? — disse o carteiro.
— sim, sou eu. — Aaron respondeu.
— preciso que assine aqui. — o homem estendeu a prancheta, Aaron assinou, pegou o pacote e o carteiro foi embora parecendo mal-humorado.

Ao abrir o pacote, Aaron encontrou um chaveiro, que parecia caro, com uma chave dourada, bonecos de bolo de casamento e um papel de anotações. Aaron, parou, revirou os olhos e leu o pequeno papel, que mostrava o endereço de uma casa. no mesmo bilhete, mellanie dizia: "esta é a chave do nosso novo lar!". Aaron gemeu, respirou fundo, pôs uma das mãos sobre os olhos, pensativo. depois atirou os bonecos de casamento contra a faixada da casa e a pequena figura da noiva se estilhaçou muito mais do que a figura do noivo.




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