13 janeiro 2011

we all rock along - capítulo 6 - 2°T



Capítulo 6 - Salvando Vidas


O domingo tinha sido preguiçoso, devido à ressaca na qual se encontravam. Bart era o único na casa que não estava com dor de cabeça. ele acordou relativamente cedo pra um domingo e deixou que os outros dormissem até mais tarde. praticamente ficou sozinho em casa o dia todo. então se trancou em seu quarto, pegou suas grandes folhas de desenho, seus lápis e reproduziu o rosto de Lindsay em vários papéis, em diferentes poses.

Na segunda-feira, todos tiveram que acordar cedo. Carter estava prestes à quebrar seu despertador quando Aaron bateu na porta do seu quarto o chamando. ele hesitou em responder, porém Aaron bateu mais forte e Carter respondeu impaciente.

— o que foi? — Carter gritou. Aaron abriu a porta. — me deixa dormir, pelo amor de Deus.
— você vai pra escola hoje?
— não. eu não tenho forças. — Carter disse enterrado nos travesseiros.
— olha, todo mundo já foi pra escola. a Gwen me ligou pedindo pra eu levar a pasta dela na agência depois da escola. ela esqueceu aqui. só que eu tenho que ir pra um casting. você leva a pasta pra ela?
— ahn?
— acorda, Carter! — Aaron pulou em cima dele — a pasta tá aqui. leva na agência dela depois da escola.
— eu não vou pra escola.
— eu sei. é pra você saber o horário.
— tá. agora me deixa dormir.


A porta do frente rangeu quando Aaron a empurrou. andou devagar até o portão. ele parou, pensativo. Aaron faltaria a aula hoje. mas não porque tinha um casting marcado e sim porque finalmente resolveu visitar Mellanie no hospital psiquiátrico onde ela está internada.
Estava hesitante em frente a porta do quarto dela. aquele ambiente todo branco não o ajudava à pensar. ele suspirou e entrou silenciosamente. ela dormia, tranquila. Aaron parou ao lado de sua cama e não conseguiu fazer mais nada. olhava para ela com desgosto e pena.

— Aaron! — Mellanie acordou o surpreendendo — você... veio me ver. — ela levantou a mão para tocá-lo. ele deu um passo para trás, apático.
— como... como você está? — ele se forçou à perguntar.
— melhor. melhor agora. — Mellanie se sentou na cama, de frente para ele — que bom que veio. sabia que viria.
— Mellanie, promete... — ele suspirou — promete que vai se cuidar. não faça nenhuma loucura, por favor.
— tudo bem. eu não sou louca. — disse sorrindo. uma expressão ingênua. Aaron assentiu e abaixou o rosto.
— claro que não.
— que bom que está aqui. te esperei por tanto tempo. por que demorou tanto? — ela esperou. ele não respondeu e não olhava em seus olhos. — bem, agora que veio, eu tenho tanto pra te dizer. eu fiz tantos planos. quando eu sair daqui nós podemos fazer vários passeios. eu vou te mostrar vários lugares. eu sei fazer tortas, sabia? eu vou fazer várias tortas pra você. também podemos...
— Mellanie... — ele tentou interrompê-la, mas ela continuava falando empolgada — Mellanie, não. — Aaron teve de segurar as mãos dela. Mellanie parou e o encarou.
— o que houve? Aaron, eu vou sair daqui logo. não vai demorar muito tempo. eu juro. nossa vida vai voltar ao normal em breve. eu vou voltar pra você. — ela sorriu para ele.
— Mellanie, isso não vai acontecer. — Aaron ergueu a voz para de imaginar todas essas coisas. para de criar ilusões. não existe "nós". não existe "nossa vida". eu sinto muito, mas nós não estamos juntos e nem vamos ficar. você inventou tudo isso. você quase acabou com a minha vida. transformou um chuvisco numa tempestade. tudo aí... dentro da sua cabeça. — ele pôs a mão no rosto dela. ela estava imóvel. — você está indo direto para o abismo. não se jogue, Mellanie. e, por favor, se você me ama tanto assim, não tente me arrastar com você. — Aaron umedeceu os lábios. Mellanie estava estática e demorou à reagir.
— sai daqui! — disse baixo e parecia que começaria à chorar. Aaron se inclinou para andar, mas seus pés não se moveram. — agora! sai daqui! agora! — Mellanie gritou. levantou da cama e se contorceu com os braços em volta da cintura. seus cabelos desarrumados esconderam o rosto, mas Aaron tinha certeza de que ela chorava. continuou gritando para que saísse. Aaron andou até a porta. parou e se virou para encará-la. ela fitou seu rosto pondo o cabelo para trás. — vai embora daqui e nunca mais apareça! — ela deu sua última ordem. ele fez uma expressão de choro, seus olhos claros foram embaçados quando piscou e os umedeceu com um pouco de lágrimas, então Aaron desapareceu no corredor branco.


Sentados nas escadarias da escola, Lindsay, Bart e Josh conversavam animados sobre nada muito importante. um vento frio soprou e Lindsay tremeu. Bart a emprestou a sua camisa de flanela, ficando somente de camiseta. enquanto ela vestia, atrapalhada, pareceu um bolo esquisito, vermelho e xadrez. quando terminou, seu cabelo estava bagunçado e ela parecia uma drogada em fim de festa. eles riram dela. Bart a beijou rapidamente, se levantou e disse que ia ao banheiro.

— hoje eu tive que trazer uns 500 livros. minha mochila está me puxando para baixo e meus ombros estão doendo. droga! — reclamou Lindsay.
— quer que eu carregue alguns na minha mochila? — Josh perguntou, com a boca cheia de salgadinhos e farelos grudados no rosto.
— não precisa. eu vou colocar tudo aqui na mochila do Bart. ele nem vai sentir. — Lindsay riu, maldosa. ela ia transferindo seus livros de sua mochila para a de Bart. de repende, ela parou, fitando o interior da mochila dele. Lindsay olhava para uma pasta preta.
— o que foi, Lindsay? — Josh se intrigou com sua pausa.
— Josh, você sabe o que tem dentro dessa pasta?
— não. mas olha, é melhor você não mexer. o Bart não vai gostar.
— eu acho que sei o que ele guarda aqui dentro. — Lindsay lembrou do que Carter havia contado, então pôde imaginar o que Bart escondia. ela pegou a pasta e se aninhou com Josh para explorá-la. ao abri-la descobriu alguns dos desenhos de Bart, como esperava. seu queixo caiu e Josh apenas sorriu, sem se surpreender. Lindsay se viu em quase todas as folhas de papel perfeitamente rabiscadas. maravilhada, não conseguiu tirar os olhos dos desenhos. em passos apressados, Bart se aproximou deles.

— por que mexeram nas minhas coisas? — disse Bart, recolhendo sua mochila e tirou a pasta das mãos de Lindsay.
— Bart, eles são lindos! você não devia escondê-los. por que nunca me mostrou? — disse Lindsay, levantando-se.
— porque são meus e não era pra ninguém ter visto. — Bart enfiou a pasta na mochila de qualquer jeito e fechou com raiva.
— não precisa ficar assim, Bart. — Josh tentou acalmá-lo.
— eu parei. parei de vez, ok?
— não, Bart. não diz isso. por que você tá tão irritado? — disse Lindsay, colocando a mão em seu ombro. Bart segurou o pulso dela.
— não se mete na minha vida, Lindsay. tudo bem?
— Bart, se você tem algum problema, a gente tá aqui pra ajudar. — Lindsay pôs a mão no rosto de Bart, que se desvencilhou, dando um passo para trás.
— eu não preciso de ajuda.
— cara, nós não vamos nos intrometer na sua vida. mas eu acho mesmo que você devia voltar à desenhar. você nasceu pra isso. supera tudo aquilo e volta à fazer o que você faz de melhor. — Josh o encarou.
— eu tinha voltado. mas agora eu vou parar de novo. eu não estou pronto, Josh. eu achei que estivesse, mas não estou. agora, por favor, parem de intervir por mim, tá? — Bart se virou e os deixou ali sem ter mais o que falar.


Deitada no tapete da sala do apartamento de Ginger, Chloe estava apática, olhando para o lustre cheio de pedras de cristal penduradas, refletindo a luz, cintilando sobre seus olhos. ela apertou com força as pálpebras e permaneceu com os olhos fechados. até que ouviu o barulho das chaves balançando atrás da maçaneta e a porta se abriu. Chloe sentou com os joelhos próximos ao peito e Ginger entrou ruidosamente com as sacolas do mercado. Chloe assistiu Ginger passar pelo batente e esperou que ela fechasse a porta, porém mais uma pessoa entrou.

— Duncan? — Chloe gritou, se pondo de pé. — por que o trouxe aqui, Ginger?
— bem, vocês precisam conversar. — explicou Ginger — olha, Chloe, você não está bem. ele pode te ajudar.
— eu cruzei o oceano pra isso. — acrescentou Duncan.
— eu não preciso de ajuda. eu vim pra Londres porque eu queria fugir de tudo isso. você não devia ter vindo atrás de mim, Duncan.
— eu precisava ter certeza de que você está bem. — Duncan deu um passo para a frente com os olhos suplicantes. Chloe se virou de costas para ele.
— vai embora, Duncan. por favor. — ela deixou a sala sem olhar para trás e se trancou no quarto. Duncan abaixou a cabeça, lamentando. Ginger estava parada atrás dele. ela pôs a mão em seu ombro carinhosamente e ele virou para ela.
— você vai ter que esperar. dá um tempo pra ela. é o que ela precisa. — Ginger sorriu amigavelmente. Duncan suspirou e se recompôs.
— tem razão. se ela precisar... diga que eu estou por perto. — ele andava até a porta.
— claro. mas não se preocupe, ela vai ficar bem.
— eu esperava... — Duncan riu de si mesmo — eu esperava até ganhar um beijo, mas não recebi sequer um abraço. ela sequer me olhou.
— feche os olhos.
— ahn?
— feche os olhos. — Ginger cobriu os olhos dele com as mãos — agora imagine o rosto dela. — Duncan não entendeu o que Ginger fazia, mas colaborou. quando o rosto de Chloe veio à sua mente, os lábios de Ginger tocaram os dele. ele foi petrificado pela surpresa, mas em alguns segundos recuperou a consciência. Ginger descobriu seus olhos e ela a encarou. — pronto! não é a mesma coisa, mas guarde esse por enquanto. talvez um dia possam ser os lábios dela tocando os seus.


A manhã preguiçosa de Carter estava no fim. ele levantou da cama tarde, unindo forças pra resistir à tentação de continuar deitado. sentado na beira da cama, ele olhou para o lado e lá estava a pasta que deveria entregar à Gwen. ele bufou.

Carter lavou o rosto, escovou os dentes, trocou de roupa e saiu sem comer nada. tirou seu carro da garagem e foi cantarolando junto com o rádio por todo o caminho. chegou na agência, passou pela recepção e foi informado que teria de subir até o andar onde Gwen trabalhava para entregá-la pessoalmente.

Gwen estava no elevador sozinha. casualmente, o elevador parou, as portas se abriram e Chester entrou. mais um encontro ao acaso entre eles. conversaram, riram e flertaram.

No térreo, Carter acabara de apertar o botão para chamar o elevador. balançava a pasta de Gwen em suas mãos. o elevador chegou e as portas abriram, porém Carter não se moveu. ficou desconcertado e paralisado quando se formou em sua frente a imagem de Gwen e Chester se beijando na cabine. eles pararam, surpresos e olharam para Carter, que pigarreou e estendeu a pasta para Gwen. ela a recebeu tentando dizer alguma coisa. ele sorriu para eles, erguendo as sobrancelhas, e foi embora. nenhuma palavra fora dita durante aquela cena embaraçosa. Gwen estava no meio da cabine do elevador tentando entender o que tinha acabado de acontecer. ela olhou para frente e as portas se fecharam novamente.


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